7.30 da manhã
É esta a hora a que cada um de nós sai do prédio (tu do teu e eu do meu), entra no carro (tu no teu e eu no meu) e se dirige ao trânsito do IC19.
Foi nesta rotina que nos descobrimos, quando ao mesmo tempo saíamos de prédios diferentes e entrávamos em carros, por vezes estacionados um ao lado do outro. Esta rotina que se prolongava pela estrada.
No início, quando cada um de nós saía do seu prédio desviávamos os olhares, lembras-te? E partíamos desencontrados...
Os olhares desviados transformaram-se em breves sorrisos, o local onde ao final da tarde deixamos os nossos carros deixou de ser "um qualquer"...
7.30 da manhã
Quando não estavas a essa hora demorava-me um pouco no carro, até que chegasses. Fazias o mesmo :)
E depois, no IC19, lembras-te? Por vezes ia eu à frente, com os olhos no espelho, outras vezes ias tu...
E no terrível trânsito matinal, por vezes seguíamos lado a lado, nas faixas do IC 19. Outras vezes, ultrapassávamo-nos um ao outro. Tanta gente irritada naquele trânsito e nós esboçávamos sorrisos.
7.30 da manhã
E nunca palavras. Só sorrisos, olhares.
Mas nos sorrisos, nos olhares, não posso dizer que gosto da forma como te vestes, que gosto do teu cabelo, dos teus olhos, ou posso?
É mágico. Partilhar algo assim a dois.
A minha janela sempre esteve à mesma distância da tua, quando os nossos olhares se cruzaram.
A minha janela sempre esteve à mesma distância da tua, quando partilhámos sorrisos.
E todos os dias, ao final da tarde, tu estás na tua, eu estou na minha.
Gosto da forma como mexes no cabelo e gosto, quando ao sair da janela te afastas e vejo um pouco mais do teu corpo.
Gosto quando à noite apagas a luz e eu apago a luz e depois tu acendes e eu também e os nossos olhares trocam por detrás do vidro um último relance do dia.
A tua janela sempre esteve à mesma distância da minha, mas agora nós estamos mais próximos.

O ponteiro dos minutos avança sem parar. A velocidade é constante. Por vezes passa pelo colega das horas e continua, sem pressas. Dá 24 voltas todos os dias.
E se um dia parar, eu sei que a pilha se acabou.
Lembrei-me de Fernando Pessoa, quando me recordei de ti, ... de nós.
"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce."
Não sei se Deus quis, mas eu sonhei muito com aqueles momentos e aconteceu mesmo. A força de um sonho :)
Recordo-me da primeira vez, ... da forma como tentávamos adivinhar tudo no outro, prevendo os próximos movimentos numa sintonia desejada. A forma como senti o teu olhar penetrante enquanto esboçavas aquele sorriso com que me contagiaste. Foi bom, concordámos, e rápido também.
Recordo-me também da nossa segunda vez que foi a última e aconteceu minutos depois da primeira. Mais demorada, sentindo cada movimento, de uma forma clássica. Explorámos novas posições, algumas talvez nem existam ainda em livro. Os olhares, os movimentos, os corpos e aquela mesa que partilhou tudo isso connosco.
É tão bom... jogar Xadrez contigo.

Estremeci quando ouvi a tua voz do outro lado.
- Olá.
Esperaste uma resposta
Respondi.
- Há tanto tempo! Como vais?
- Isso quer dizer que sabes quem fala?
- Sei. Há coisas que não se esquecem nem sete anos depois.
- Que bom lembrares a minha voz
- Faz agora sete anos, sabias?
- Sim, já se passou tanto tempo. Por vezes penso como estarás.
- Também penso, mas nunca tive a coragem de te telefonar.
- Tive eu. Não gostaste?
- Gostei!
(continua?)
Sou um génio. Sempre o soube, mas sempre o tentei esconder. Ser génio nao é fácil, é até bastante difícil...
Ah, e tenho uma lâmpada :)
Podia ter dito
Esse silêncio
Essa dor
Essa nostalgia
Traz tudo isso contigo
-(quando vieres)
E vem
vem ter comigo
só esta noite
mais uma noite
Agora
Chove
Lá fora
Choro
Cá dentro
Sinto
Saudades
sem
sombras.
Sentenças
Serenas.
Surjo.
Silente,
simplesmente
silencioso.
Sólido.
Só.
Sorrio
Subtil
Conheci-a sem querer... apesar de a querer conhecer. Ela era pintora com indica o título, mas só depois o soube. Conheci-a no autocarro 39.
(continua?)
. A minha janela sempre est...
. Um telefonema da pintora ...
. ...
. Sem ti